Aviso: Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido

através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom".

Louvado seja Deus!


bons que, procurando ser extremamente gentis com homens maus, causam grande dano a toda a igreja".
Home Teologia ANTROPOLOGIA - O ESTUDO DO HOMEM

TEOLOGIA – CURSO

Por: Helio Clemente

4 - ANTROPOLOGIA  - O ESTUDO DO HOMEM

Para início deste estudo, segue abaixo a primeira seção do capítulo IV da Confissão de Fé de Westminster comentada pelo autor: A Criação (em versalete):

1 –     A CRIAÇÃO

Confissão de Fé de Westminster, Capítulo IV, Seção I: “Ao princípio(1) aprouve a Deus o Pai e o Filho(1.2) e o Espírito Santo(1.3), para a manifestação da glória do seu eterno poder, sabedoria e bondade, criar ou fazer do nada(2), no espaço de seis dias, e tudo muito bom, o mundo e tudo o que nele há,  visíveis ou invisíveis(3)”.

1.1 - Gênesis 1,1: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”.

1.2 - Hebreus 1,2: “Nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”.

1.3 - Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

2 - Jeremias 10,12: “O SENHOR fez a terra pelo seu poder; estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus”.

3 - Colossences 1,16: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”.

Resumo

Deus criou o universo fora de si, todas as coisas no universo são criadas, nada nele é eterno ou auto-existente.

O universo e todas as criaturas biofísicas ou espirituais foram criados a partir do nada.

Deus criou primeiramente o tempo, que é a estrutura primária do universo, antes disso não existia nada além de Deus e a eternidade.

O Deus auto-existente

O Deus revelado na Escritura é todo-poderoso e infinito existindo eternamente por si mesmo, acima e além do tempo, do espaço, da matéria e dos seres criados, e com a criação não se confunde ou se mistura. Ao mesmo tempo, a Escritura revela o Deus que mantém o universo pelo poder de sua providência contínua e infalível, um Deus espiritual e pessoal que cuida de cada uma de suas criaturas individualmente.

O Deus criador

As escrituras, de maneira geral atribuem a criação ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo indistintamente, conforme as funções determinadas eterna e imutavelmente para cada uma das pessoas na realização do Plano Eterno de Deus.

O tempo da criação

O mundo foi criado, segundo as Escrituras, em seis dias, a partir do terceiro versículo do livro do Gênesis. Dificilmente podem ser dias semanais como são conhecidos hoje. Não reste dúvida que Deus é soberano, tendo poder para fazer o mundo vir à existência até em seis horas, seis minutos, seis segundos ou instantaneamente, como acreditavam os primeiros pais da igreja, o que seria mais lógico que os seis dias de vinte e quatro horas, porém a mensuração do tempo só faz sentido para os homens, seres finitos e vinculados à matéria, ao espaço e ao tempo, mas não para Deus, eterno, infinito e absoluto.

A. A. Hodge: “O registro de Gênesis, breve e geral como ele é, foi designado e admiravelmente adaptado para lançar o fundamento de uma fé inteligente em Jeová como o criador absoluto e o modelador imediato e governador providencial de todas as coisas. Mas ele não foi designado nem para impedir, nem para tomar o lugar de uma interpretação científica de todos os fenômenos existentes e de todos os traços da história pregressa do mundo que Deus permitiu aos homens descobrir”.

Seguem abaixo algumas considerações sobre os dias da criação.

O caos

A grande maioria dos teólogos concorda que existe um grande espaço de tempo, pelo menos entre os versos primeiro e terceiro do primeiro capítulo do livro do Gênesis. Existem duas explicações principais para isto:

1 - Este intervalo corresponde ao caos resultante da revolta de Lúcifer e seus anjos.

Esta explicação vem negar a soberania e a providência divina, pois supõe que Deus foi pego de surpresa pela revolta de Lúcifer. A bíblia expõe claramente a soberania de Deus e o absoluto controle dos seres criados em obediência aos seus Decretos Eternos, por este motivo não pode ser essa a explicação correta.

2 – Conforme A. A. Hodge, este intervalo refere-se a uma criação inicial dos elementos primários que compõe a matéria - ‘creatio prima’ - hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, carbono etc. Ou, mais ainda, os átomos, componentes primários de todos os elementos – estes elementos ficaram espalhados desordenadamente no universo, como uma nuvem invisível de baixíssima densidade, formando o caos a que se refere a bíblia. Depois disto, a partir desses elementos primários Deus reordenou e combinou estes elementos para formar todas as coisas e os seus ajustamentos no sistema do universo: a ‘creatio secunda’.

3 – Conforme Agostinho, a primeira criação no tempo foi o céu, entendido como a morada de Deus, esta morada de Deus não é co-eterna com ele, mas destituída de matéria física, onde o tempo não tem decorrência, pois não existe movimento. Quanto à criação do mundo material, a concepção de Agostinho é perfeitamente assumida pelo teólogo
A. A. Hodge conforme o item acima.

Agostinho (Confissões): “Por isso a matéria comum a todas as coisas invisíveis e visíveis, matéria ainda informe, mas susceptível de forma, e de onde se fariam o céu e a terra – em outras palavras, a criação invisível e visível – mas uma e outra tendo recebido forma, foi designada por essas expressões de terra invisível e informe, e de trevas reinando sobre o abismo. Com a seguinte distinção: por terra invisível e informe deve-se entender a matéria corpórea antes de ser qualificada pela forma; e por trevas reinando sobre o abismo, a matéria espiritual, antes da restrição de sua, digamos, imoderada fluidez antes de ser iluminada pela sabedoria (*). Poderia alguém afirmar, se quisesse: Esses termos céu e terra não significam realidades perfeitas e acabadas, lá onde lemos: No princípio Deus criou o céu e a terra – mas um esboço ainda informe, uma matéria passível de receber forma e servir para a criação; nela já existiam, como que um embrião, sem distinção de formas e de qualidades, essas criações, uma espiritual, e outra material que, ordenadas como estão agora, são chamadas de céu (espiritual) e terra”.

(*) “A terra, porém, estava sem forma e vazia” – A matéria corpórea elementar antes de sua forma final. “Havia trevas sobre a face do abismo” - A matéria espiritual fluida sem a iluminação da Sabedoria de Deus (os primórdios do céu espiritual – a morada de Deus).

Esta consideração da criação dos materiais elementares em primeiro lugar procede, como visto acima, de Agostinho, ele defendeu a criação a partir do nada, mas dividiu-a em duas etapas: em primeiro lugar Deus criou o céu espiritual, sua morada onde seriam recebidos os seres espirituais e as almas dos homens destinados à salvação, em seguida, por ordem lógica e não temporal, os elementos primários componentes da matéria. Somente depois disto Deus procedeu à iluminação da criação espiritual (céu) e a ordenação dos elementos primários na formação do universo material.

Agostinho não fala em dias da criação, mas em um momento de tempo sem entrar em detalhes comparativos com os dias como são conhecidos hoje.

Agostinho (Confissões): “Porém, esta massa informe, esta terra invisível, este caos, tu não o enumeraste entre os dias; de fato, onde não há forma nem ordem, nada vem, nada passa e, portanto não pode haver nem dias, nem sucessão de espaços temporais”.

De Agostinho: O que se pode deduzir, simplificando o pensamento de Agostinho, é que no primeiro verso do Gênesis, “os céus” é a morada de Deus, e a palavra “terra” abrange todo o universo material criado incluindo matéria e espaço.

Agostinho não tinha ainda o conhecimento dos elementos constituintes da matéria, a ciência naquela época ainda não tinha descoberto estes elementos. A. A, Hodge explica a mesma coisa acima de forma inteligível através da criação dos elementos primários que iriam constituir o universo.

Esta consideração parece bastante correta, pois dá lugar às eras geológicas e à formação natural e progressiva do universo, conforme as forças da natureza, ordenadas pelos Decretos Eternos e pela providência divina. Pode-se verificar pelo registro bíblico, que a natureza é contínua, não caminhando em saltos ou apresentando situações divergentes em diferentes épocas ou locais, nada indica que deveria ser diferente no início da criação. As variações da natureza, abruptas e contrárias a ela são realizadas pelos milagres de Deus, que somente acontecem épocas apropriadas e sempre com um propósito claro e objetivo, pois, não existe propósito na realização de milagres desnecessários, sem finalidade específica e objetiva, que desta forma se tornam vãos.

Quanto aos dias da criação, alguns dos pais da igreja nos primeiros séculos, dividiam-se, alguns afirmavam a criação instantânea do universo, sendo os dias de Gênesis apenas representativos e necessários ao entendimento humano, como Clemente de Alexandria e Orígenes entre outros. O primeiro a interpretar os dias de Gênesis como dias literais foi Teófilo e desta opinião participaram Irineu e Tertuliano, e, a partir do século terceiro desta era, passou a ser a opinião dominante na igreja. A ideia da criação eterna não teve aceitação entre os pais da igreja.

João Calvino: “Ora, não é sem causa que distribui a formação do mundo por seis dias, quando em nada lhe seria mais difícil efetuar em um único momento a obra inteira, em todas as suas parcelas, simultaneamente, do que chegar gradativamente à plena realização por meio dessa progressão”.

O “dia da criação” antes do “dia solar”:

Gênesis 1,3-4: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas”.

A “luz” referida neste versículo não se refere à luz solar, que foi criada no quarto dia (verso 16), a luz criada neste verso é a luz da Sabedoria de Deus, a luz de Cristo que precede à ordenação de todas as coisas espirituais e materiais já existentes em forma elementar, esta é a luz anterior à criação, a lógica de Deus que irá orientar toda a criação espiritual e material, mas não representa especificamente a luz solar, que se manifestou muito mais tarde.

João 1,3-5: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”.

O dia solar somente apareceu no “quarto dia da criação”:

Gênesis 1,16-19: “Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o quarto dia”.

O Sétimo Dia

A criação da terra foi terminada no sétimo dia e não no sexto:

Gênesis 2,1-3: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército. E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”.

O descanso de Deus neste verso significa apenas o término de uma tarefa, e Deus, sendo espírito puro e imutável não necessita do descanso, continuando o trabalho da providência sem intervalo.

Salmo 121,4: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel”.

Todas as qualidades das pessoas divinas são exatamente iguais, Jesus revela que o Pai trabalha sem descanso, e ele, Segunda Pessoa da unidade trina, faz o mesmo.

João 5,17: “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”.

A semana como conhecida hoje é apenas um símbolo, ou imagem da semana da criação, existindo no calendário civil dos povos e na liturgia da igreja para lembrança dos seguintes fatos:

a - Deus, sendo espírito puro e todo-poderoso, é incansável, passando de tarefa a tarefa sem intervalo e sem descanso; mas o homem se fatiga, necessitando de repouso e pausa nas lutas semanais.

b - Deus é criador de todas as coisas, preservador da criação, governador dos povos e salvador do homem.

c - O homem precisa de tempo para o descanso dos que trabalham para ele.

Deuteronômio 5,14: “Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro das tuas portas para dentro, para que o teu servo e a tua serva descansem como tu”.

d - O Criador concede ao salvo o tempo necessário à adoração e ao serviço litúrgico. Pelo culto ao Criador o redimido separa o sétimo dia para Deus.

As coisas criadas e o plano eterno de Deus

“E viu Deus que tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”.

Tudo que Deus criou, fez e mantém é intrinsecamente bom e compõe a universalidade do seu plano eterno. A malignidade existe, sendo determinada por Deus através de eventos isolados no universo, tais como as catástrofes naturais, as guerras, o mal causado pelo homem, a doença e a pobreza, que não possuem autonomia em si mesmas, mas antes, existem como partes integrantes e necessárias à decorrência do plano divino.

Romanos 8,28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

A criação do universo

A bíblia ensina que Deus criou o mundo em seis dias, estes seis dias excluem os primeiros versos do livro do Gênesis, teólogos têm debatido acaloradamente o tempo e os acontecimentos ocorridos entre os primeiros versos do Gênesis, alguns argumentam que o Caos mencionado no segundo verso refere-se à revolta e queda de Satanás, outros que este período corresponde às eras geológicas e outros ainda não admitem a existência de um hiato neste período argumentando que o mundo foi criado em seis dias literais.

Dificilmente pode-se concordar que os “céus” referidos no primeiro verso do Gênesis corresponde ao céu atmosférico, ou mesmo cósmico, pois estes foram criados a partir do segundo dia da criação, os “céus” no primeiro verso do Gênesis indica a criação de uma ordem espacial, inexistente na eternidade, onde se manifesta a glória de Deus de forma suprema e precedente a todas as coisas.

A bem da razão e sempre à luz da Escritura, a hipótese mais razoável é a das eras geológicas, pois concorda com o desenvolvimento natural do Universo. Esta é a opinião de Shedd e dos Hodge, que confrontam os testemunhos arqueológicos com o registro de Gênesis, chamando a atenção para a extraordinária ordem cronológica e simultaneidade entre eles.

A Criação do Universo desde o princípio até a origem do Homem está descrita no livro do Gênesis, o primeiro livro da Bíblia. É possível imaginar uma comissão internacional de cientistas, professores e especialistas neste assunto, os melhores do mundo, com a tarefa de elaborar um documento transmitindo todo o conhecimento que se tem até o dia de hoje sobre a criação do universo e as origens do homem. Ora, este documento seria transmitido ao longo do tempo, a um pastor nômade que viveu na Mesopotâmia a três mil e quinhentos anos atrás, escrito em hebraico com menos que mil palavras. O texto deveria ser reproduzido na linguagem corrente da época e transmitido oralmente ao pastor. Seria algo muito diferente do texto bíblico do livro do Gênesis? Melhor?

O texto bíblico é de uma precisão incrível. Guardadas as proporções devidas, e apesar das elucubrações evolucionárias que não merecem sequer consideração, não existem meios para descrever a história da Criação de outra maneira tendo em vista a época em que foi escrita. Segue uma análise do livro do Gênesis à luz do conhecimento científico, tendo sempre em vista que o conhecimento científico é confrontado com a bíblia e não o contrário, pois a bíblia é o princípio primeiro do cristão e, também, o princípio básico de todo conhecimento geral:

Gênesis 1,1: “No princípio, criou Deus os Céus e a Terra”.

Esta simples frase transmite toda a sequência da Criação do universo.

O Tempo:

No princípio”: Deus é absolutamente atemporal e imaterial; na eternidade de Deus o tempo não existe. Para a Criação do Universo era necessário um arcabouço primário: o tempo, a partir do qual o mundo foi materializado. Não se deve confundir este momento, no qual o mundo foi trazido à existência, com o princípio real, pois todas as coisas existem na mente de Deus eternamente e não é possível ao homem cogitar sobre os tempos do princípio e do fim, tempos estes que Deus reserva a si mesmo pela sua absoluta autoridade.

Atos 1,7: “Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade”.

O Espaço:

Criou Deus os Céus...”: para que a matéria existisse era primeiro necessário que existisse o espaço, afim de que a matéria pudesse se expandir.

A Matéria:

E a Terra”: estava então tudo preparado para que a Matéria existisse. O tempo, o espaço e a matéria estavam contidos em um ponto singular na eternidade (argumento cosmológico Kalam). Faltava ainda alguma coisa para que tudo visse à existência, algo que propiciasse a tremenda liberação de energia que aconteceria simultaneamente à Criação.

O caos inicial:

Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

A Luz:

Gênesis 1,3: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”.

A luz propiciou a existência material do universo: instantaneamente, do nada, a vinda à existência de todo universo. Este acontecimento promoveu a maior liberação de energia jamais ocorrida: a manifestação do poder criativo de Deus. Os cientistas reconhecem este acontecimento na “Teoria do Big-Bang”.

Isto tudo está revelado no livro do Gênesis, na ordem colocada acima. Resguardada a época em que foi transmitido, é a descrição mais próxima que existe desta teoria da criação conhecida como Big-Bang, que é hoje a teoria aceita pelos cientistas modernos sobre a formação do Universo. Sem ilusões quanto à veracidade da ciência, eles podem estar certos porque a teoria confrontada com a Palavra faz sentido e não porque a bíblia possa ou deva ser confrontada com o que quer que seja.

O universo moral:

Deus faz em seguida a separação da luz e das trevas, esta separação não pode se referir à luz física, pois a luz física somente foi separada das trevas no verso dezoito.

Gênesis 1,16-18: “(16) Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. (17) E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, (18) para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom”.

Esta separação da luz e das trevas nos versos quatro e cinco só tem sentido como separação do bem e do mal, sendo o mal tudo que se opõe à vontade revelada de Deus, isto significa que o universo criado é um universo moral regido por um único pacto entre Deus e suas criaturas, que irá se manifestar em seguida à criação do homem, na proibição imposta aos primeiros pais (Gênesis 2,16-17) e depois em várias formas ao longo da história bíblica até sua concretização definitiva em Jesus Cristo – o pacto da graça.

Gênesis 1,4-5: “E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia”.

O assunto seguinte é a formação do planeta Terra, que era a princípio informe e constituído de matéria gasosa.

As nuvens e o mar separados, o céu atmosférico:

Gênesis 1,6: ”E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas”.

A terra e os mares:

Gênesis 1,9: “Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez”.

Deus chamou ao elemento árido terra, e ao ajuntamento das águas mar.

Os vegetais:

Gênesis 1,11: “E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez”.

O dia e a noite:

Ao mesmo tempo, dissipou-se a camada de vapor que envolvia a terra. Avistava-se então o sol, a lua e as estrelas.

Gênesis 1,14: “Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos”.

Nota: Este verso tem importância peculiar na apresentação de Deus e da criação, pois os astros, que nas religiões do Antigo Oriente eram adorados como deuses, são aqui apresentados como coisas criadas por Deus, não como forças misteriosas que regem o destino das pessoas nem tampouco como objetos de culto.

A vida animal surgiu no seio dos mares, e depois as aves no céu:

Gênesis 1,20: “Disse também Deus: Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.

Os grandes animais marinhos (e dinossauros):

Gênesis 1,21: “Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom”.

Na Edição Pastoral-Catequética da bíblia está escrito:

Gênesis 1,21; “Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que enchem as águas, segundo sua espécie; e todas as aves segundo sua espécie”.

Este verso reveste-se, também, de particular importância, pois segundo os mitos babilônicos prevalecentes naquela época, o mundo antes da criação era o caos, dominado pelo monstro marinho, com o qual o deus Marduque lutou e venceu. Os grandes animais marinhos (o monstro do caos) são mencionados aqui para indicar que também eles foram criados por Deus e estão sob o seu domínio. Como tudo que existe foi criado por Deus, já não há mais lugar para a adoração de fenômenos da natureza ou de qualquer outro ser animado ou inanimado.

Os animais atuais:

Gênesis 1,24: “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez”.

Por fim, Deus criou o homem:

Gênesis 1,26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.

O homem não foi criado como os outros animais, o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Deus é espírito puro e imaterial, portanto, a semelhança não pode ser física.

Todos os pais da igreja e teólogos de respeito consideraram a natureza da semelhança no homem como: intelecto e vontade, que resultam em termos práticos na razão e moralidade inata do homem, esta é a análise de Agostinho, Lutero, Calvino e dos teólogos de Westminster. Através desta semelhança o homem pode conhecer a Deus pela sua consciência inata e receber a fé, geral ou salvífica, conforme a determinação de Deus.

Gênesis 1,27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.

Recentemente, nas igrejas evangélicas em geral e principalmente nas pentecostais, o intelecto e a vontade foram substituídos pelas emoções e as experiências pessoais, desta forma a imagem de Deus no homem fica completamente distorcida e a fé se transforma em lavagem cerebral.

Gordon Clark: “Fé não é emoção, fé é entendimento intelectual com assentimento da vontade”.

O sopro da vida:

O homem não tem vida em si como Deus, mas recebeu de Deus o “sopro da vida”, o espírito que o diferencia de toda criação.

João 6,63: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida”.

Antes de criar a vida, criou Deus os seus exércitos constituídos pelos anjos e seres espirituais.

Gênesis 2,1: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército”.

Por isto, Deus era conhecido primitivamente, pelo seu povo como: “O Senhor dos Exércitos”.

Após a criação, Deus através de Cristo, continua sustentando todo universo e todas as criaturas através da Palavra de Seu Poder, o que se chama Providência Divina.

Hebreus 1,3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

A semana de Deus

Quando criou o tempo, Deus não se preocupou em mensurá-lo. Sabe-se hoje, que os seis dias de Deus correspondem a vários bilhões de anos, sem considerar o tempo inimaginável que decorreu entre os versos um a três, o princípio do Universo.

Salmo 90,2: “Antes que os montes nascessem e se formasse a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.

Salmo 90,4: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite“.

A linguagem do Descanso de Deus é figurada e não se refere ao descanso físico, o que seria impossível para Deus, pois Ele é espírito puro, eterno e infinito, sendo por isso imutável e incansável, portanto não necessita e não tem a possibilidade de descanso, pois na eternidade de Deus o tempo não existe.

A divisão da semana em sete dias e o estabelecimento do Sábado foi destinada ao descanso do homem, à adoração e ao culto. Este descanso também se refere, de uma forma mais ampla, à glorificação dos eleitos após a segunda vinda de Cristo, quando então estarão definitivamente entrando no Descanso de Deus.

Salmos 95,11: “Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”.

Não se trata de imposição religiosa ou científica, mas de análise isenta e acurada do texto bíblico. Alguma pessoa teria capacidade, por si mesmo, há três mil e quinhentos anos atrás, para descrever a criação do mundo em detalhes tão rigorosos?

Esta é a história da criação conforme a visão criacionista, existem outras correntes que defendem pontos de vista diferentes, seguem abaixo as principais:

Evolução:

Pressupõe a formação espontânea ou preexistente do universo; quando a terra já era formada a vida surgiu também espontaneamente no seio do oceano. Esta corrente não explica como a segunda lei da termodinâmica funciona ao contrário para sustentar sua teoria, não explica a origem do universo e da matéria e não possui sequer uma prova de um fóssil intermediário entre as espécies que comprove suas afirmações, a explicação da teoria supõe a existência de um elo perdido que nunca foi comprovado: Os fósseis ainda dizem não!

Acreditar na evolução é realmente uma questão de fé, trata-se praticamente de uma religião e não de fatos científicos passíveis de comprovação. Esta é a religião do homem, que irá futuramente desembocar em outra religião - o marxismo - o expoente máximo da religião humanista que irá dominar o mundo no final dos tempos.

Evolução teísta:

Os aderentes desta teoria afirmam que Deus usou a evolução para o desenvolvimento das espécies. Esta teoria não encontra respaldo na descrição da criação conforme o livro do Gênesis, que claramente aponta para a vertente criacionista, ou seja – Deus criou cada espécie pronta e acabada, o que existiu depois foram adaptações ao clima e ao meio ambiente.

Deísmo:

Esta vertente do criacionismo é a mais cruel visão do universo, pois sustenta que Deus criou o Universo e as criaturas e depois os abandonou à sua própria sorte em um mundo caótico e descontrolado.

Quanto ao ateísmo, esse assunto foi tratado em capítulo anterior: A Negação de Deus.

ANTROPOLOGIA - A história dos homens.

A criação do homem foi assim:

Gênesis 2,7: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.

Alma vivente neste caso significa “ser vivente”, o espírito do homem veio através do sopro de Deus (RUAH!).

Gênesis 2,8-9: “E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal”.

Deus colocou o homem para viver no Jardim do Éden, onde ele tinha tudo o que precisava para viver, ou... Quase tudo, então ele recebeu uma ordem de Deus: o Pacto de Obras.

Gênesis 2,16-17: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

Como foi dito acima, o homem não era feliz, faltava a ele alguma coisa, uma companheira.

Gênesis 2,22: “E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe”.

O homem passou então a viver com sua mulher e estava satisfeito, privava da comunhão com Deus e vivia bem com sua companheira no Jardim do Éden, mas, o homem ainda não era feliz, ansiava por algo que nem ele mesmo sabia, não queria viver pela justiça de Deus, ansiava por sua justiça própria. Aproveitando-se deste fato, a serpente, que é Satanás, aproximou-se da mulher e a seduziu para desobedecer à ordem de Deus e comer o fruto proibido junto com Adão, disse a serpente:

Gênesis 3,5: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”.

A queda: “Como Deus, sereis...” - esta frase retiniu nos ouvidos do casal, a mulher, tomando o fruto comeu e ofereceu ao homem que também comeu. E, assim, o primeiro homem já se mostrava incapaz de obedecer às ordens e preceitos de Deus, e caiu. A queda não foi parcial e não ficou restrita ao primeiro casal, a queda foi brutal e suas consequências catastróficas, Adão, como representante da raça humana, transmitiria a toda humanidade os efeitos da queda: a natureza depravada e a total incapacidade do homem em fazer o que quer que seja para agradar a Deus e salvar a si mesmo. Esta é a herança dos primeiros pais que os homens carregam até hoje.

O pecado original não se transmite pela substância do corpo ou da alma, mas pelo decreto de Deus em função do pecado de Adão, não somente todos os homens carregam em si o peso do pecado original como também a terra é amaldiçoada pela desobediência de Adão. Todas as desgraças e mazelas aos quais os homens e a terra estão sujeitos, seja o mal natural ou o mal causado pelo homem tem sua origem no pecado dos primeiros pais.

Gênesis 3,17: “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida”.

Agostinho: “Quer um infiel culposo, quer um fiel inculpável, um e outro não gera inculpáveis, mas culposos, porque os gera de natureza corrupta... Pois, a culposidade provém da própria natureza; a santificação, contudo, procede da graça sobrenatural”.

Nem por tudo isto, o pecado original é um pecado alheio imputado ao homem, mas é um pecado individual e próprio de cada uma das pessoas da humanidade, desde sua concepção até o momento de sua morte, sendo tão real como os pecados factuais realizados voluntariamente ao longo da vida.

Assim foi a criação e a queda do homem, é preciso analisar, à luz desses fatos, a natureza e as características do homem conforme a revelação divina.

A IMAGEM DE DEUS NO HOMEM

A imagem de Deus é constituída pelo entendimento, razão (lógica) e moralidade inatas no homem, esta consciência da imagem de Deus está presente em todos os homens e não é adquirida ou apreendida por sensações ou experiências, mas faz parte da natureza inata e própria de toda e qualquer pessoa na história da humanidade. Após a queda, o homem perdeu a capacidade de entendimento e retidão, restando, porém, a capacidade do raciocínio lógico e um conceito inato de moralidade baseado inevitavelmente nas leis de Deus impressas na consciência de cada um.

Romanos 2,15: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se”.

Esta consciência inata propicia aos homens a percepção de Deus através das obras da natureza, e, propicia também aos eleitos, após a justificação, a retomada do entendimento: O conhecimento de Deus através da revelação da Escritura, bem como a fé e o arrependimento que procedem da salvação.

Pelágio, e, posteriormente, os defensores do livre-arbítrio afirmam que esta imagem e semelhança referem-se originalmente apenas à razão, afim de que o homem tivesse, por esta qualidade, o conhecimento de Deus, negando desta forma a ação do Espírito na revelação. Já foi visto que conhecer a Deus através da razão é insuficiente para a salvação, somente a restauração do entendimento original, que acontece pela graça de Deus na justificação dos eleitos, restaura a comunhão perdida, trazendo ao homem a fé em Cristo e o arrependimento para a vida.

A outra qualidade própria do homem seria o livre-arbítrio, pelo qual ele teria a capacidade de escolher entre o bem e o mal. Esta é uma ideia extremamente pobre, pois nega a moralidade do homem como imagem de Deus e nega também os efeitos universais da queda, negando desta forma toda a Escritura. Por outro lado, diviniza o homem, tornando-o co-autor da providência divina, juntamente com Deus.

A ideia da semelhança física foi sugerida por muitos dos pais da igreja nos primeiros séculos, mas foi abandonada em seguida. Temos, todavia, e, apesar de não admitido, um forte resquício desta ideia nos santos e imagens da igreja romana.

Após a reforma, muitos dos arminianos, defensores do livre-arbítrio, ensinavam que a imagem de Deus no homem constituía-se apenas no domínio sobre os animais inferiores.

Schleiermacher e muitos dos teólogos modernistas e pós-modernistas rejeitam a existência de um estado inicial de inocência no homem, admitindo que a razão e a moral do homem é fruto de um desenvolvimento ao longo do tempo, alguns, afirmando até, um desenvolvimento evolucionário.

A imagem e semelhança conforme a Escritura

Em primeiro lugar é importante frisar que as palavras “imagem” e “semelhança” são empregadas como sinônimos e não representam qualidades diferentes. Em segundo lugar, o homem foi criado de forma imediata, com todas as suas qualidades e características próprias já inerentes no seu ser. No ato da criação estas qualidades eram: o conhecimento de Deus, a retidão, o entendimento, a razão, a lógica, a justiça, a capacidade de santificação e comunhão com Deus. Através da queda, o conhecimento de Deus ficou restrito à razão, sem entendimento, e a capacidade de santificação e comunhão com Deus foram perdidas por completo.

Algumas das propriedades naturais do homem refletem esta imagem de Deus que permanece na criatura: o raciocínio lógico, a capacidade do conhecimento através da experiência, a imaginação, os sentimentos em lugar dos instintos animais e a liberdade de escolha conforme a natureza do homem e as circunstâncias. E finalmente, uma qualidade acima de todas estas, que é a espiritualidade, como se pode observar na religiosidade dos povos antigos e de povos selvagens ainda não atingidos pela civilização.

Outra ideia da imagem de Deus no homem, frequentemente esquecida, é a imortalidade, Deus dotou o homem de uma alma imortal, de forma que, na morte do corpo físico, a alma, contendo todo o conhecimento, sentimentos e capacidades do indivíduo, continua viva no “estado intermediário”, junto a Deus, no céu ou no inferno, onde aguarda a ressurreição do corpo já no seu destino final e irreversível.

O domínio do homem sobre a criação inferior não é parte da imagem de Deus, mas um mandato recebido em função das qualidades superiores do homem.

Gênesis 1,28: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”.

O pecado original e a morte

Existem duas posições teológicas quanto à relação entre o pecado original e a morte física de Adão:

1- Adão foi criado mortal como todos os homens, sujeito á corrupção do corpo e teria sido elevado a um estado de imortalidade caso conseguisse provar sua obediência exigida pelo Pacto de Obras, desta forma, o pecado não provocou nenhuma mudança na constituição original do homem.

Este conceito procura conciliar a Escritura com a ciência, colocando a Palavra em dependência dos experimentos científicos e abre espaço para os pelagianos, socinianos e arminianos que afirmam que as consequências do pecado original ficaram restritas a Adão, não trazendo senão influência, que pode ser vencida pela vontade própria do homem – o mito do livre-arbítrio neutral. Esta é uma posição rejeitada pelos símbolos de fé da Reforma e particularmente pela Confissão de Fé e Catecismos de Westminster.

2 – A posição da teologia reformada é que Adão foi criado à imagem e semelhança de Deus, incluindo a imortalidade do corpo e da alma, o que leva ao pecado e à morte sendo introduzidos no mundo como punição pela desobediência de Adão, acarretando transformações na natureza do homem e do universo em caráter permanente, e por este motivo, impossíveis de serem revertidas pelo próprio homem.

Gênesis 3,17-18: “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo”.

- A morte física: Adão foi criado para o Pacto, e não o Pacto para Adão, antes da queda Adão era imortal e deveria confirmar esta imortalidade pela obediência (posse non mori), esta imortalidade seria transmitida, pelo cumprimento do pacto, a todos os seus descendentes. Da mesma forma, Adão receberia a penalidade da morte física pela desobediência (non posse non mori), desta forma, a morte física é um castigo pelo pecado transmitido a toda a humanidade, pois a morte física é uma horrível expectativa de separação do corpo e da alma, desfazendo a composição natural do homem. Esta era a opinião predominante na igreja primitiva e dos reformadores.

Estas condições, uma vez estabelecidas de forma unilateral pela soberania e poder de Deus somente podem ser revertidas da mesma forma, pela decisão divina: A primeira vez, na vida dos eleitos, pela justificação e o novo nascimento, o que é chamado no livro do Apocalipse de “Primeira Ressurreição”, e outra vez na segunda volta de Cristo, extensiva a toda a humanidade, onde justos e injustos serão ressuscitados para o juízo final.

João Calvino: “Nem podemos aspirar a Deus com seriedade antes que tenhamos começado a descontentar-nos de nós mesmos”.

A CONSTITUIÇÃO DO HOMEM – DICOTOMIA OU TRICOTOMIA

A doutrina prevalecente na história do cristianismo é a dicotomia, segundo a qual a natureza essencial do homem é composta por corpo e alma, esta era a idéia entre os apóstolos e os pais da igreja ocidental, e defendida com veemência por Agostinho. No decorrer do tempo, surgiu o conceito da tricotomia, segundo o qual o homem é composto por corpo, alma e espírito. Esta idéia surgiu sob a influência da filosofia grega, segundo a qual a alma faria a ligação da parte material do homem, o corpo, com sua parte espiritual, ora funcionando como ligada à matéria, ora ligada ao espírito. Desta forma é possível descrever o homem como:

Tricotomia - Corpo: a parte material do homem. Alma: o princípio da vida animal. Espírito: a parte imortal que se relaciona com Deus.

Nos primeiros séculos da era cristã, o pensamento dicotômico era comum à igreja ocidental, enquanto o pensamento tricotômico à igreja grega ou ortodoxa. A dicotomia era o pensamento básico defendido por Agostinho e prevaleceu na Idade Média e durante a reforma. Já o pensamento tricotômico teve um de seus mais antigos representantes em Irineu, que ensinou que o espírito era dado aos crentes pelo Espírito Santo, após a conversão.

Por tudo que já foi dito, percebe-se claramente que a visão tricotomista do homem deve ser rejeitada pelos seguintes motivos:

- Não existe base escriturística para sustentar esta forma de pensamento. A Escritura sempre descreve o homem como uma unidade indivisível e, ao mesmo tempo, impossível de existir sem sua composição em corpo e alma.

- Esta forma de pensamento tricotômica sugere claramente que o homem consta de partes e não de um todo, a própria origem da palavra sugere claramente o “corte”
(temneim – cortar) da natureza humana, a ponto de alguns tricotomistas afirmarem que as pessoas podiam ter seus espíritos cortados, como explicado pela visão de Irineu acima: desde que, o crente recebe o espírito, também pode perdê-lo.

- A idéia da tricotomia tem sua origem na filosofia grega, onde existe uma nítida e clara divisão e oposição entre o espírito e a matéria, posição esta defendida por Platão. Conforme as idéias de Platão e outros filósofos gregos contemporâneos a ele, existia uma nítida oposição entre a matéria e o espírito, sendo tudo que é material ruim e tudo o que é espiritual bom, desta forma havia necessidade de uma constituição intermediária que fizesse a ligação entre estes dois extremos.

Ainda de acordo com essa filosofia, o mundo material não foi criado e está constantemente em luta contra Deus.

A NATUREZA DO HOMEM – A PESSOA TOTAL

Antes de iniciar o estudo da natureza do homem, é preciso salientar que o homem é uma unidade, uma pessoa total, os seres humanos são constituídos por corpo e alma, ou corpo e mente, ou corpo e espírito, todas estas relações resultam em uma unidade psicossomática, por este motivo, não se deve considerar o ser humano como consistindo de partes distintas, pois desta forma o homem perde sua totalidade como pessoa.

Na bíblia, os termos alma, espírito e coração são usados com o mesmo significado e sentido, figurando indistintamente conforme os diversos textos se apresentam, muitas vezes, um mesmo autor usa os termos de forma intercambiável em seus escritos.

Charles Hodge chama esta constituição do homem como: corpo e mente. Ele atribui aqui uma similaridade direta entre a mente e a alma (ou espírito), sendo a mente constituída de uma substância espiritual e o corpo constituído de uma substância material, estas duas substâncias não se misturam e mantém todas as suas qualidades individuais intactas, sem mistura ou confusão, mas agem conjuntamente na formação do indivíduo, que é uno, apesar de constituído de substâncias diferentes.

A alma (mente) é uma substância imaterial, o corpo é uma substância material, estas duas substâncias permanecem inalteráveis face aos acontecimentos e o decorrer do tempo, pois a substância é a soma das características que definem a coisa, independente das condições externas. Desta forma, a alma (mente) possui todas as qualidades espirituais, a inteligência, a lógica, a vontade e os sentimentos, sendo também imortal. Por sua vez, o corpo possui todas as qualidades da matéria, massa, espaço, presença física e as capacidades orgânicas. A alma não possui nenhuma das qualidades materiais e o corpo não possui nenhuma das qualidades espirituais.

Pelo que foi dito até aqui, pode-se afirmar algumas coisas derivadas:

- A semelhança do homem com Deus: esta semelhança deve ser unicamente espiritual, pois Deus é espírito puro e não possui nenhuma das propriedades da matéria, portanto a semelhança deve se restringir ao legado da mente: o raciocínio, a lógica, a consciência inata de Deus e da necessidade de uma justiça universal proveniente de motivos outros fora do homem.

- A morte e o estado intermediário: na morte, a alma imortal separa-se do corpo mortal, levando consigo todo o conhecimento e sentimentos presentes na mente do homem, este é um estado de insuficiência da alma, pois ela não existe plenamente sem o corpo. Esta situação somente poderá ser resolvida através do milagre da ressurreição, uma vez que o corpo mortal voltou ao pó, e por si mesmo, nada poderá fazer.

O homem, a pessoa total: a união entre a alma e o corpo, que se dá na concepção do homem, forma uma pessoa total, um ser pessoal dotado ao mesmo tempo de todas as qualidades mentais e das propriedades naturais do corpo, mas sem mistura ou confusão destas duas naturezas diversas, a mente continua meramente espiritual e o corpo meramente material, todavia, a pessoa humana é um ser único e completo, dotado de todas as propriedades da mente e do corpo, apesar de que não existe transferência de substância ou qualidades da mente para o corpo ou do corpo para a mente.

O homem, apesar de constituído destas duas substâncias diferentes, é uma só pessoa, com uma consciência única, a alma (ou mente) permanece espírito e o corpo permanece matéria, mas o homem total é quem sente as emoções e pensamentos, quem é salvo é o homem, não a alma ou o corpo, quem é condenado é o homem, não a alma ou o corpo.

Importante: Esta união da mente com o corpo não pode ser vista como uma habitação, de forma que a alma possa migrar para outro corpo, esta união é única, visceral e definitiva, a alma e o corpo são partes constituintes de um indivíduo único, de forma inalienável, e jamais poderão existir plenamente sem esta conjunção.

Uma pessoa possui todos os atributos espirituais da mente e todos os atributos materiais do corpo que se manifestam individualmente ou conjuntamente, alguns atos são puramente mentais, como o pensamento, outros puramente materiais como a circulação do sangue ou a respiração.

Outros atos envolvem a ação conjunta da mente e corpo, como o movimento e o ato de falar, assim um homem pode ser fisicamente fraco, mas forte e decidido espiritualmente, ou ainda o contrário, quando um homem sofre um acidente, ou uma doença, o corpo fica ferido e fraco, mas a alma não sofre alteração, pois é espiritual, quando o crente se arrepende, sua alma sofre, mas seu corpo permanece intacto.

Todavia, existe uma concorrência entre a mente e o corpo nas ações do homem, andar, correr, falar, escrever e todos os atos resultantes da vontade e decisão do homem quando envolvem a mente e o corpo como uma pessoa total. Esta concorrência entre a substância espiritual e material somente se processa pelo poder de Deus, não existe outra forma de cooperação direta entre uma substância espiritual e outra material (ver: ocasionalismo).

Em todos os casos, é o homem que pensa, é o homem que sofre, é o homem que é salvo ou condenado, é o homem quem anda, corre e fala.

A Escritura, na realidade, não trata o homem individualmente, mas sempre tendo em vista seu relacionamento com Deus e com os preceitos de Deus na Escritura.

Berkouwer: “Podemos dizer sem medo de contradição que a coisa mais notável no retrato bíblico do homem repousa nisto: que nunca chama a atenção para o homem em si mesmo, mas exige a nossa atenção plena para o homem em sua relação com Deus”.

ALMA, ESPÍRITO E CORAÇÃO - O QUE DIZ A ESCRITURA?

As palavras alma, espírito e coração são usadas de forma indistinta e intercambiável na Escritura, mas o sentido destas palavras subentende sempre a unidade da natureza humana.  É o homem que peca, não é a alma ou o corpo; é o homem que é salvo, não a alma ou corpo, o sentido mais complexo desta situação é o espírito ou alma desincorporada, depois da morte - o Estado Intermediário; este assunto será tratado no próximo capítulo deste estudo.

Existe uma analogia entre as funções do corpo e alma e as naturezas divina e humana de cristo, da mesma forma como o homem é salvo ou condenado e não a alma ou corpo, na crucificação quem sofre é a pessoa de Cristo e não sua natureza humana.

Será visto, a seguir, como são tratadas na Escritura as emoções e sensações do homem.

A revolta:

Atos 17,16: “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria reinante na cidade”.

2 Pedro 2,8: “Porque este justo, pelo que ouvia e via quando habitava entre eles, atormentava a sua alma justa, cada dia, por causa das obras iníquas daqueles”.

A dor:

João 12,27: “Agora está angustiada a minha alma, e que direi eu?”

João 13,21: “Ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espírito e afirmou: Em verdade, em verdade vos digo que um dentre vós me trairá”.

A Exaltação:

Lucas 1,46-47: “Então disse Maria: a minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito exulta em Deus meu salvador”.

A morte:

Segundo os tricotomistas é o espírito que vai para o céu, mas nos trechos abaixo, observa-se exatamente o contrário:

1 Pedro 1,9: “Obtendo o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas”.

Mateus 16,26: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”

Lucas 12,20: “Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?”

Esta mesma situação é retratada para o espírito:

Atos 7,59: “E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”

A Santificação:

A santificação não é na carne nem na alma, a santificação é para o homem, a salvação foi determinada na eternidade, mas a santificação é uma realidade que se realiza na presente vida, e no homem como um todo, nestes versos abaixo, Paulo refere-se ao espírito e Pedro à alma:

2 Coríntios 7,1: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne, como do espírito,  aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

1 Pedro 1,22: “Tendo purificado as vossas almas pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos de coração uns aos outros, ardentemente”.

Os profetas do Velho Testamento não ensinam de forma diferente, tanto alma como espírito são utilizados de maneira intercambiável.

Salmo 41,4: “Disse eu: compadece-te de mim, Senhor; sara a minha alma, porque pequei contra ti”.

Salmo 31,5: “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade”.

2 Reis 2,9: “Havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito”.

Salmo 103,2-3: “Bendize, ó minha alma ao Senhor, e não te esqueças de nenhum só de seus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades”.

Jó 32,8: “Na verdade, há um espírito no homem, e o sopro do Todo-Poderoso o faz sábio”.

O perdão da alma referido na Escritura refere-se claramente ao perdão da pessoa, não somente da alma ou espírito, pois na segunda volta de Cristo as almas serão unidas novamente aos corpos transformados. Como já foi visto até aqui, a Escritura usa indistintamente e como sinônimos os termos alma e espírito.

Os mortos: Os mortos são chamados algumas vezes de alma e outras espírito:

Apocalipse 6,9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam”.

Hebreus 12,23: “E igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados”.

Muitas vezes a palavra alma refere-se a pessoas, neste caso geralmente é usada no plural:

Gênesis 46,22 (versão RC): “Estes são os filhos de Raquel, que nasceram a Jacó, ao todo quatorze almas”.

Tricotomia:

Os defensores da visão tricotômica do homem usam duas passagens bíblicas para defender seu ponto de vista, a primeira está na Carta aos Tessalonicenses e a segunda em Hebreus:

1 - 1 Tessalonicenses 5,23: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

Esta passagem é uma oração e não pretende ser uma explicação doutrinária, aqui, espírito e alma são considerados como reforço de expressão, pois o pronome vosso está se referindo a uma coisa só, que é o homem em si mesmo e não as partes componentes do mesmo.

Da mesma forma, estas palavras são usadas nos evangelhos como sinônimos e para reforço de expressão:

Mateus 22,37: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”.

Marcos 12,30: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”.

Lucas 10,27: “A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

O segundo verso utilizado pelos defensores da tricotomia está na Carta aos Hebreus, será apresentada uma análise bastante detalhada deste verso.

2 - Hebreus 4,12-13: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.

Hebreus 4,12: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que

Sujeito                      predicativo do sujeito

qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas

(predicativo do sujeito)          verbo                    adjunto adverbial

e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração”.

complemento nominal                     adjunto nominal

O resultado, ou consequência, disto é expresso no verso seguinte:

Hebreus 4,13:E (por este motivo) não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.

É possível resumir este verso nas palavras grifadas em vermelho, mantendo-se desta forma o entendimento completo das frases com todos os componentes básicos da oração:

A palavra de Deus é cortante e (A palavra de Deus) penetra para discernir
Sujeito (Deus)       Pred. Do sujeito      sujeito oculto            verbo     adj. adverbial

os pensamentos e propósitos do coração.
objeto direto 

(Conclusão): E (por este motivo) não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.

Uma análise gramatical deste verso mostra duas coisas:

1 –    O verbo dividir é secundário no sentido principal e faz parte de um adjunto adverbial que rege igualmente as palavras genitivas: alma, espírito, juntas e medulas, ou seja, o sentido é que a palavra de Deus divide a alma, divide o espírito, divide as juntas e divide a medula.

2 -     O sentido principal da frase é a “penetração” que representa o conhecimento de Deus para “discernir os pensamentos e propósitos do coração”, como se vê claramente no verso subsequente que expressa a continuidade da idéia exposta no verso treze.

3 – E finalmente a conclusão de que todas as coisas, ocultas aos homens, são conhecidas por Deus.

“todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”.

A “Palavra de Deus” neste verso simboliza a onisciência de Deus, o próprio Deus, como muitas vezes na Escritura o “poder de Deus”, a “glória de Deus” ou “a Escritura” são usados como o nome de Deus:

Romanos 9,17: “Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra”.

Atos 7,55: “Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita”.

Colossenses 2,12: “Tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”.

O CORAÇÃO

É conveniente uma atenção especial a esta palavra, visto que ela é frequentemente mal empregada na pregação e na exposição da doutrina. Muitos mestres e pregadores usam a palavra coração como sendo contrária à mente. Isso é uma primariedade inadmissível e leva a enganos fatais, muita gente acredita que vai “pensar com o coração” na igreja e “pensar com a mente” nas atividades seculares.

Somente este fato já se consiste em um erro terrível, pois os cristãos foram comissionados no mundo e existe um mandato cultural a cumprir, o que exige uma atitude coerente e uniforme na vida cristã. Por outro lado, insinuar que é possível conhecer alguma coisa sem a utilização da mente é a negação da natureza do homem e da semelhança com Deus, que consiste exatamente na capacidade do conhecimento racional, sem o que o conhecimento de Deus e da Escritura é impossível. Esta é uma porta aberta e um convite a uma série de heresias que estão destruindo a igreja cristã na atualidade.

Um estudo elaborado por Gordon Clark a respeito aplicação da palavra “coração” em toda a Escritura, levou à seguinte constatação (números inteiros aproximados): em quinze por cento das vezes a palavra significa emoção, em vinte por cento das vezes significa vontade e em sessenta e cinco por cento das vezes significa intelecto, ou ainda como a sede do pecado e dos maus pensamentos. Em qualquer dessas situações o coração está muito longe de representar o órgão humano designado por esse nome, ele sempre representa uma função da mente.

NCB o Novo Comentário da Bíblia diz o seguinte: “No uso hebraico, os rins são a sede das emoções, enquanto o coração é a sede do intelecto”.

Conforme o léxico grego do Dr. Strongs, o coração como usado na bíblia significa:

Kardia (kardia):

1 - O centro e lugar da vida espiritual;

2 - A alma ou a mente, como fonte e lugar dos pensamentos, paixões, desejos, apetites, afeições, propósitos, esforços;

3 - O centro do entendimento, a faculdade e o lugar da inteligência da vontade e caráter;

4 – A alma como o lugar das sensibilidades, afeições, emoções, desejos, apetites, paixões.

No hebraico:

bl  (leb):

1 – O ser interior, mente, vontade, inteligência;

2 - Alma, coração (do homem), mente, conhecimento, razão, reflexão, memória, inclinação, resolução, determinação (da vontade), consciência, coração como referindo-se ao caráter moral;

3 - Como lugar dos desejos, das emoções e paixões e da coragem.

Já com respeito aos rins:

No grego clássico:

nefrov (nephros):

1 - Rim

2 - Rins, quadril

3 - Lugar dos pensamentos íntimos, sentimentos, e propósitos da alma.

Veja nos versos abaixo o uso desta palavra também no hebraico:

hylk  (kilyah):

1 - Rins

1b - Referindo-se ao lugar de emoção e afeição.

Jó 16,13: “Cercam-me as suas flechas, atravessa-me os rins, e não me poupa, e o meu fel derrama na terra”.

Isaías 11,5: “A justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade, o cinto dos seus rins”.

Veja abaixo os usos da palavra “coração” na bíblia:

O coração imagina e pensa:

Gênesis 6,5: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.

O coração é usado de maneira intercambiável com a alma (mente):

Deuteronômio 30,6: “O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas”.

O coração erra e adquire conhecimento:

Salmo 95,10: “Durante quarenta anos, estive desgostado com essa geração e disse: é povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos”.

O coração é usado de maneira intercambiável com espírito:

Salmo 51,10: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável”.

Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

O coração se engana e se corrompe:

Jeremias 17,9: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”.

O coração é dirigido por Deus para o conhecimento:

Atos 16,14: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia”.

O coração é a sede do conhecimento:

1 Reis 3,12: “Eis que faço segundo as tuas palavras: dou-te coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti não houve teu igual, nem depois de ti o haverá”.

O coração tem sabedoria:

2 Crônicas 9,23: “Todos os reis do mundo procuravam ir ter com ele para ouvir a sabedoria que Deus lhe pusera no coração”.

O coração é a memória:

Deuteronômio 4,9: “Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos”.

O coração é o caráter:

Deuteronômio 9,5: “Não é por causa da tua justiça, nem pela retitude do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela maldade destas nações o SENHOR, teu Deus, as lança de diante de ti; e para confirmar a palavra que o SENHOR, teu Deus, jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó”.

O coração entende:

Deuteronômio 29,4: “Porém o SENHOR não vos deu coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje”.

O coração é a disposição:

2 Crônicas 15,17: “Os altos, porém, não foram tirados de Israel; todavia, o coração de Asa foi perfeito todos os seus dias”.

Como se vê nestas passagens, todas as funções aqui referidas ao coração são inegavelmente funções da mente, assim deve-se considerar o coração, biblicamente, como uma função da mente e inseparável dela.

A Carne

A palavra carne, na Escritura pode ter diversos significados: o corpo humano, a carne de animais destinados à alimentação, parentesco, a fraqueza da natureza humana, a raça humana, o aspecto manifesto da natureza humana, o corpo humano.

Justiça própria - Jeremias 17,5: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!”.

Revelação humana - Mateus 16,17: “Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus”.

A constituição do homem (física ou espiritual) - João 3,6: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”.

Mente humana - João 8,15: “Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo”.

A humanidade - Gênesis 6,13: “Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra”.

Carne de animais - Gênesis 9,4: “Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”.

A natureza depravada do homem: Gálatas 5,19-21: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”.

Pode-se, então, concluir que a Escritura exclui totalmente qualquer interpretação dualística do homem, sendo que a ênfase em todos os aspectos é para a pessoa total: corpo e alma.

O Estado Intermediário

A imortalidade da alma: a imortalidade em seu sentido absoluto é privativa de Deus, pois somente ele é imortal, pois não tem princípio nem fim, o termo imortalidade usado com relação aos seres espirituais criados seria mais bem definido como uma existência infindável, mas como este uso está deveras entranhado na linguagem teológica, esta palavra “imortalidade” será usada neste estudo para se referir aos seres espirituais, tendo sempre em mente que somente Deus possui a real imortalidade.

1 Timóteo 6,14-16: “Que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!”.

O Estado Intermediário é aquele período entre a morte e a ressurreição do homem, o que se pode a dizer a esse respeito? Existem várias idéias prevalecentes nas seitas e denominações cristãs. A idéia de que as pessoas recebem corpos intermediários neste período não tem base escriturística, a ênfase na Escritura é sempre entre o corpo mortal e o corpo ressuscitado.

Inexistência: A afirmação que o homem deixa de existir entre a morte e a ressurreição não é válida.

O sono da alma: O homem permanece em um estado inconsciente entre a morte e a ressurreição, também não tem fundamento bíblico.

Aniquilacionismo: Por esta idéia os ímpios simplesmente deixam de existir para sempre em sua morte, também não tem fundamento bíblico.

O estado intermediário: A ideia transmitida pela Escritura é que após a morte física a alma (ou espírito) abandona o corpo e se dirige imediatamente ao seu destino final, são apresentados a seguir alguns exemplos bíblicos que confirmam esta idéia.

Lucas 16, 19-26: “Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele; e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós”.

Eclesiastes 12,7: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.

Atos 7,59: “E apedrejavam a Estevão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito”.

Lucas 23,43: “Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.

2 Coríntios 5,6-8: “Temos, portanto, sempre ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé, e não pelo que vemos. Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor”.

Apocalipse 6,9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam”.

Observa-se também nestes versos, que as palavras espírito e alma são usadas sempre como sinônimos e de maneira intercambiável.

Desta forma, a continuação do indivíduo no estado intermediário é a alma, o cadáver está morto durante este período. Isto leva a considerar o quão absurdo é o culto aos mortos, que é feito ao cadáver, por isso Jesus diz: “deixai aos mortos que cuidem dos seus mortos”.

Todavia, é sempre preciso lembrar que o indivíduo é uma unidade formada pelo corpo e alma, a alma não está completamente feliz longe do corpo no estado intermediário, mas na segunda vinda de Cristo o corpo será ressuscitado e transformado para unir-se novamente com a alma no estado glorificado.

Nesta segunda volta de Cristo o Estado Intermediário chega ao fim e as almas se unem aos corpos ressuscitados, tanto dos eleitos como dos réprobos, para o julgamento final.

1Coríntios 15,52: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”.

Atos 24,15: “Tendo esperança em Deus, como também estes a têm, de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos”.

Comunicação entre vivos e mortos: A bíblia nos assevera que não existe possibilidade de comunicação entre as almas no estado intermediário e os que estão vivos, isto fica bastante claro na parábola do mendigo Lázaro transcrita acima, mas vejamos também a posição de Calvino nas Institutas:

Calvino - Institutas: “Todas as razões desta espécie deixam de aplicar-se em relação aos mortos, os quais, quando o Senhor os subtrai de nosso convívio, não nos deixa nenhuma comunicação com eles e, quanto é licito seguir às conjeturas, tampouco a eles conosco”.

Eclesiastes 9,5-6: “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento. Amor, ódio e inveja para eles já pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo do sol”.

Interação entre a alma e o corpo

Existem algumas correntes filosóficas distintas a respeito da interação entre a alma e o corpo:

- Monismo: o corpo e a alma são formados da mesma substância primitiva. Esta afirmação é completamente antibíblica, pois está claro que Deus formou o corpo de substância pré-existente e a alma foi infundida pelo sopro de Deus não constando de material pré-existente, mas tem origem no poder criativo de Deus.

Resumidamente, as mônadas, segundo Spinoza e Leibnitz, são unidades indivisíveis e independentes que formam o mundo espiritual da mesma forma como os átomos formam a matéria, esta é uma forma de panteísmo onde o universo é uma extensão de Deus.

- Ocasionalismo: o corpo e o espírito (mente) não têm possibilidade de operação conjunta, visto que constam de substâncias completamente distintas, a interação entre o corpo e a mente somente pode se realizar pelo poder de Deus (ver adiante – ocasionalismo, conforme Malebranche).

- Paralelismo: a alma e o corpo são feitos por Deus de forma que um corresponde exatamente ao outro, possibilitando a “harmonia pré-existente” (Leibnitz). Esta é uma ideia que não está longe da consideração bíblica sobre a criação das almas dos homens, o criacionismo, que se contrapõe ao traducianismo.

- Dualismo realista: o corpo e a alma, apesar de constituídos de substâncias distintas, tem a capacidade de interagir e trabalhar em conjunto, sendo que o entendimento desta relação não é inteligível ao entendimento humano.

O que se pode observar também, é que, na morte o indivíduo continua a existir através da alma, o cadáver perde temporariamente a identidade, desta forma, a alma pode agir sem o corpo, mas o corpo não pode agir sem a alma, o que leva a defender a tese do ocasionalismo, visto com maiores detalhes a seguir.

Salmo 49,15: “Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si”.

Desde a concepção do homem, toda a consciência, os pensamentos e o conhecimento adquirido durante a vida terrena são gerados por Deus através do espírito (alma) e ali permanecem indefinidamente.

Ocasionalismo:

Esta ideia, apresentada primeiramente por Cartésio, foi desenvolvida posteriormente por Malebranche, filósofo e religioso francês do século dezessete, ele criticou duramente os filósofos e religiosos que procuram desvendar a relação da mente com o corpo sem considerar a determinação eterna do plano de Deus. A principal afirmação de sua filosofia é de que todos os pensamentos, vontade e raciocínio do homem provêm da interação que parte da alma em transmissão ao corpo e encontram em Deus a causa eficiente primeira e última de todas as decisões e movimentos do homem. Assim, todo o centro de consciência e conhecimento do homem tem sua sede na alma, que é a própria mente do homem, sendo dirigida em momento a momento em todas as condições pela vontade soberana do Criador, vontade esta, imutável e determinada na eternidade, antes da criação do mundo e de todos os seres humanos.

Provérbios 20, 27: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo”.

Institutas da Religião Cristã – João Calvino – Livro I, Capítulo I:

“Em primeiro lugar, visto que ninguém pode sequer mirar a si próprio sem imediatamente volver o pensamento à contemplação de Deus, em quem vive e se move, por isso longe está de obscuro o fato de que os dotes com que somos prodigamente investidos de modo algum provêm de nós mesmos. Mais ainda, nem é nossa própria existência, na verdade, outra coisa senão subsistência no Deus único”.

Atos 17.28: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração”.

A explicação é que, a vontade efetiva é um ato de criação, e somente Deus pode criar, pois os atos de Deus são orientados por sua infinita sabedoria visando à realização dos Decretos Eternos, por este motivo, os homens são incapazes de possuir uma vontade própria, pois todas as coisas estão estabelecidas de acordo com uma ordem eterna que não admite variações ao longo do tempo, caso contrário, o mundo se deterioraria rapidamente na situação caótica resultante das vontades conflitantes das criaturas e da desorganização da natureza.

1 Coríntios 2,11: “Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus”.

A ORIGEM TEMPORAL DA ALMA

Ainda resta um assunto importante para analisar em relação à natureza do homem, a alma e a vida do homem na sua concepção temporal. Qual a origem da alma?

1 –    Pré-existência: As almas poderiam ter sido criadas no início do mundo, quando Deus criou os seus exércitos, os seres espirituais. Esta idéia não é aceita pela grande maioria dos teólogos porque coloca um problema: onde estariam essas almas desde sua criação até hoje? Não existe nenhum registro bíblico a esse respeito. A existência prévia das almas foi defendida por Orígenes de Alexandria no início do terceiro século depois de Cristo, foi rejeitada e considerada herética no Concílio de Constantinopla em 553 d.C.

2 –    Traducianismo: As almas são geradas e transmitidas pelos pais a seus filhos, da mesma forma que os animais irracionais, esta afirmação conduz a dois problemas sérios: Primeiro, o homem tem vida em si? Segundo, quem transmite a alma, o pai ou a mãe? No caso dos animais irracionais, a semente da vida gerada desta forma perece junto com o corpo, no caso dos homens, a alma é imortal e a pessoa teria vida em si, a capacidade de geração da vida espiritual, que a bíblia diz ser reservado somente a Deus.

2.1 - Os defensores desta corrente afirmam que Deus criou o homem completo, de forma que o homem tem a capacidade de gerar um ser completo incluindo a alma. Esta afirmação remete a algumas dificuldades intransponíveis:

- A alma é uma substância simples e puramente espiritual não apresentando a possibilidade de subdivisão.

- Os homens são responsáveis apenas pelo pecado original, o primeiro pecado de Adão, se a alma fosse transmitida pelo próprio homem, todos os homens carregariam não somente todos os pecados de Adão, como todos os pecados de seus ascendentes.

Objeção ao traducianismo: Conforme a exposição acima, o traducianismo faz Jesus pecador, o que invalidaria completamente todo o plano de redenção divino.

Por todos estes motivos, o traducianismo não é uma consideração válida para a criação da alma dos homens.

3 –    Criacionismo: As almas são criadas por Deus imediatamente na fecundação, exatamente de conformidade com a conjuntura social, histórica e genética que envolve a complexidade da vida gerada, desta forma, a providência divina é uma constante criação. Existem teólogos respeitados que defendem tanto o traducianismo, como o criacionismo, mas o criacionismo é a única forma de transmissão da alma que está plenamente de acordo com os ensinamentos da Escritura a respeito da criação do homem.

Hebreus 12,9: “Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?”.

Objeções ao criacionismo: Muitos teólogos e religiosos alegam que o criacionismo faz de Deus o criador, ou autor, do pecado, contra isto é dito que o pecado original não se transmite por hereditariedade, mas por imputação de Deus a toda a raça humana descendente de Adão, o que leva, de uma e outra forma, ao ponto inicial, volta-se a ter Deus como determinando e imputando o mal e o pecado. A não ser que exista outro poder paralelo e igual a Deus, Ele é quem determina e cria a existência do mal e do pecado, não é possível haver outro criador de qualquer coisa boa ou má neste universo.

Lamentações 3,37-39: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem? Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

Na verdade este problema não é real, pois Deus declara explicitamente na Escritura que é, de fato e de direito, o criador de todo o bem e todo o mal, nada que existe no universo escapa ao poder criador e ao absoluto controle de Deus. É muito difícil entender porque estes pretensos “advogados” de Deus insistem em negar o que Deus afirma na Escritura.

Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”.

Quanto à outra objeção do criacionismo com relação à transmissão das características genéticas, também não tem fundamento real, pois Deus tem o poder e a sabedoria para criar em cada caso, uma alma adaptada ao corpo, à personalidade e ao relacionamento previsto na vida de cada indivíduo (ver acima – paralelismo).

CONCLUSÃO

Entender o homem como uma pessoa total tem implicações de extrema importância para a igreja, como observa Francis Schaeffer, se a obra missionária não atende às dúvidas e expectativas da pessoa tanto quanto à sua espiritualidade quanto à sua vida terrena, a evangelização será falha. Pode se observar hoje, claramente, os resultados desta afirmação: ou as igrejas se enchem de pessoas em busca de psicologia barata ou a igreja se volta à assistência social despida de seu sentido evangelístico.

Nenhuma dessas situações é desejável, a missão da igreja é trazer pessoas a Cristo e não encher os seus bancos ou seus cofres. Quanto à assistência social, sem a transmissão da mensagem do evangelho, também se constitui em uma atividade vazia e desprovida de sentido cristão.

O conhecimento, respeito e convicção quanto à pessoa do homem, conforme afirmado pela Escritura, é fundamental, não somente para o entendimento da natureza do homem, como para todas as atividades de louvor, adoração e cumprimento dos preceitos e ordenanças no cristianismo.

RESSURREIÇÃO

João 2, 19-22: Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo. Quando, pois, Jesus ressuscitou dentre os mortos, lembraram-se os seus discípulos de que ele dissera isto; e creram na Escritura e na palavra de Jesus.

É importante salientar alguns fatos sobre a ressurreição.

1 –    Jesus Cristo ressuscitou pelo seu próprio poder, assim como do Pai e do Espírito, a ressurreição foi uma obra do Deus triúno.

João 10, 17-18: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”.

2 –    A ressurreição é um fato histórico, assim como toda a Escritura.

João 11,25-26: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”

Jesus é a ressurreição e a vida, ele afirmou por várias vezes que ele era capaz de reassumir sua vida, era necessário que ele ressuscitasse a si mesmo e triunfasse sobre a morte, caso contrário como poderia libertar a outros?  Ele também tomou sobre si a obrigação que deveria ser ressurreto pelo Pai, isto para testificar que uma satisfação plena da justiça de Deus havia sido cumprida por ele.

João 5,26: “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo”.

BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER - PERGUNTA 28: Em que consiste a exaltação de Cristo? Resposta: A exaltação de Cristo consiste em ele ressurgir dos mortos no terceiro dia; em subir ao Céu e estar sentado à mão direita de Deus Pai, e em vir para julgar o mundo no último dia.

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER – Capítulo VIII, Seção IV: Foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas não viu a corrupção; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos com o mesmo corpo com que tinha padecido; com esse corpo subiu ao céu, onde está sentado à destra do Pai, fazendo intercessão; de lá voltará no fim do mundo para julgar os homens e os anjos.

1 Coríntios 15, 3-4: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.

Vejamos como foi o sepultamento de Jesus:

João 19,38: “Depois disto, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, ainda que ocultamente pelo receio que tinha dos judeus, rogou a Pilatos lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. Pilatos lho permitiu. Então, foi José de Arimatéia e retirou o corpo de Jesus. E também Nicodemos, aquele que anteriormente viera ter com Jesus à noite, foi, levando cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés. Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com os aromas, como é de uso entre os judeus na preparação para o sepulcro”.

O que aconteceu no domingo?

Quando Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, foram ao túmulo de Jesus na manhã de domingo, um anjo estava na entrada do túmulo com a pedra removida, e ele lhes disse:

Mateus 28,6: “... Vinde ver onde ele jazia”.

No evangelho de Lucas, os apóstolos Pedro e João correm em direção ao túmulo, o apóstolo Pedro chega primeiro e fica maravilhado.

Lucas 24,12: “Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro. E, abaixando-se, nada mais viu, senão os lençóis de linho; e retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido”.

Por que o apóstolo ficou maravilhado com os lençóis de Jesus? Os judeus durante sua vida no Egito aprenderam técnicas para embalsamar os mortos, Nicodemos usou cem libras de bálsamo, cerca de 45 quilos, o uso era meio quilo de bálsamo por quilo corporal, assim conhecemos por este verso o peso de Jesus: 90 quilos. Este bálsamo era embebido em grande quantidade nos lençóis que eram atados firmemente e colavam ao corpo, como se fosse um engessamento (embalsamado), de maneira que pele não tocasse com pele, formando um casulo que não poderia ser retirado sem a destruição completa dos lençóis e partes do corpo. O apóstolo viu os lençóis intactos sem o corpo, isto só seria possível por uma ação sobrenatural, promovida pela Trindade divina.

O CREDO APOSTÓLICO

“Creio... na ressurreição do corpo” - assim afirma o credo dos apóstolos, assim cristãos têm unanimemente confessado sua fé através dos séculos. A ressurreição é o alicerce da esperança do crente diante da morte. Pela sua ressurreição Jesus abriu a porta que estava fechada desde a morte do primeiro homem.

Salmo 24,7: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória”.

Em sua ressurreição, Cristo venceu a morte para que seu povo possa participar da justiça que em sua morte adquiriu para eles.

FATOS HISTÓRICOS

A bíblia é um livro de verdades históricas, todas as coisas devem ser aferidas pela Escritura, a ressurreição é um fato histórico que pode ser atestado por evidências assim resumidas:

1.      O poder de Roma foi totalmente ignorado quando o selo romano posto sobre o túmulo foi quebrado, ninguém ousaria a isso naquela época, o infrator e os soldados pagariam com a vida por este ato;

2.      Tanto judeus quanto romanos admitiram que o túmulo estava vazio, ninguém conseguiu encontrar ou mostrar o corpo. Por isso, o silêncio dos judeus é tão significativo quanto o testemunho dos cristãos;

3.      De alguma maneira, diante da guarda romana, a pedra de várias toneladas foi removida da entrada do túmulo, nenhum ato natural explica este fato;

4.      Uma guarda militar romana, altamente responsável e disciplinada, deixou seu posto e precisou ser subornada pelas autoridades para mentir sobre o que realmente aconteceu;

5.      A mortalha, intacta, não continha o corpo. Como vimos acima o bálsamo endurece e cola o linho ao corpo tornando impossível a sua remoção;

6.      Mais tarde, Cristo apareceu a mais de 500 testemunhas em diferentes situações e a maioria ainda estava viva quando Paulo escreveu sua primeira carta aos Coríntios;

7.      Flavio Josefo, o sacerdote e historiador judeu do primeiro século, disse: “Das mulheres, nenhuma evidência será aceita, por causa da frivolidade e temeridade do seu sexo”. Por causa da desconsideração do judaísmo antigo em relação à confiabilidade das mulheres, se a história da ressurreição fosse realmente uma manipulação, elas nunca teriam sido escolhidas para serem as primeiras testemunhas do fato;

8.      A evidência conclusiva contra a possibilidade de que os discípulos roubaram o corpo é a disponibilidade dos discípulos de sofrer e até a morte por sua fé, crendo que realmente houve a ressurreição, isso depois de terem fugido e se escondido durante a crucificação. Depois disto, todos os discípulos morreram martirizados sem jamais renegar sua fé;

9.      É importante perceber que não existe evidência para qualquer tentativa de refutação da ressurreição de Cristo por parte de seus adversários, que eram muitos, nos primeiros séculos do cristianismo.

A igreja foi construída sobre este fato: que Jesus Cristo, uma vez crucificado, ressuscitou dentre os mortos;

O Novo Testamento afirma unanimemente que Deus vai ressuscitar os mortos.

Atos 26,8: “Por que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?”

A realidade da ressurreição dos homens é ensinada por dois fatos.

- O primeiro é que Jesus foi ressuscitado no mesmo corpo no qual ele morreu.

Lucas 24,39: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo: apalpai-me e vede; pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho”.

- O segundo é que nós teremos corpos iguais ao corpo de Cristo.

1 Coríntios 15,21: “Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos”.

- Um fato bastante esclarecedor quanto ao corpo ressurreto é que Jesus compara os mortos após a ressurreição aos anjos do céu, ao mesmo tempo ele atesta a imortalidade da alma e a sua existência junto a Deus no estado intermediário.

Mateus 22,30-32: “Porque, na ressurreição, nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu. E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos”.

Todos os membros da Trindade estão envolvidos na ressurreição dos mortos. Em alguns casos, se diz simplesmente que Deus ressuscita os mortos (Mateus 22,29; 2 Coríntios 1,9). Mas a ressurreição é também mencionada como obra do Pai por meio do Espírito Santo (Romanos 8,11). Mais particularmente, a obra da ressurreição é atribuída ao Filho (João 5,21, 25, 28, 29; 6,38-40, 44, 54; 1 Tessalonicenses 4,16), sendo destacado que há uma ligação especial entre a ressurreição de Cristo e a nossa ressurreição (1 Coríntios 15,12-14).

DOUTRINA DOS ANJOS

Os anjos são seres espirituais criados que possuem grande poder, inteligência, juízo moral e ético sem corpos físicos.  Às vezes são referidos na Bíblia como filhos de Deus, sentinelas, tronos, poderes, soberanias e autoridades.

Neemias 9,6: “Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora”.

Segundo a Confissão Belga, no seu artigo XII, os anjos são assim definidos: “Ele criou também os anjos bons, para serem seus mensageiros e servirem seus eleitos, alguns dos quais caíram daquele estado de perfeição em que Deus os criara, para eterna perdição deles; e os outros, pela graça de Deus, permaneceram firmes e continuaram em seu primitivo estado”.

Colossences 1,16: “Pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”.

Os anjos são seres criados, porém imortais, espirituais, sujeitos ao juízo de Deus, visto que uma parte deles revoltou-se contra Deus e caiu. Os anjos caídos não têm um plano de salvação determinado na Escritura.

2 Pedro 2,4: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo”.

Quantos anjos existem?

Os anjos não casam e não se reproduzem, o seu número é fixo desde a criação e jamais será alterado. A bíblia não nos fornece uma indicação exata do número dos anjos existentes, mas temos indicações em várias passagens de que existem em grande número, a ideia mais próxima disto está em Apocalipse, capítulo cinco, verso 11 que segue abaixo.

Apocalipse 5,11: “Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhões de milhões e milhares de milhares”.

Este verso não fornece uma ideia exata quanto ao número dos anjos, mas pode-se auferir por meio dele que os anjos existem em grande número, que todavia ninguém pode precisar com exatidão.

Nestes outros versos de Daniel, os anjos, ou seres celestiais, são referidos aos milhares de milhares e miríades de miríades, indicando um número muito grande, mas não se pode precisar o número destes seres.

Daniel 7,9-10: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros”.

Lúcifer ou Satanás

Os anjos foram criados originalmente para servir e adorar a Deus, juntamente com o exército dos céus. Deus criou um querubim muito poderoso chamado Lúcifer, conforme as lendas judaicas ele era ministro da música e por algum tempo serviu a Deus com dedicação. Em um dado momento, Lúcifer se rebelou e persuadiu a um terço dos anjos nesta rebelião, a rebelião falhou e Lúcifer, agora chamado de Satanás, foi expulso do céu com seus anjos.

Satanás e os anjos caídos são chamados de demônios, ou diabos, sendo ainda que Satanás também é conhecido com Belzebu. Belzebu é um nome pejorativo dado pelos judeus ao chefe dos demônios – Baal Zebub – O Senhor das Moscas.

Apocalipse 12,9: “E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos”.

Existem alguns versos na bíblia que são referidos a alguns reis, mas que excedem em muito as qualidades possíveis para um homem, mesmo que seja rei, grande parte dos teólogos e comentaristas bíblicos consideram que estes versos se referem a Lúcifer ou Satanás:

Ezequiel 28,2-6: “Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o SENHOR Deus: Visto que se eleva o teu coração, e dizes: Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no coração dos mares, e não passas de homem e não és Deus, ainda que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus - sim, és mais sábio que Daniel, não há segredo algum que se possa esconder de ti; pela tua sabedoria e pelo teu entendimento, alcançaste o teu poder e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros; pela extensão da tua sabedoria no teu comércio, aumentaste as tuas riquezas; e, por causa delas, se eleva o teu coração - assim diz o SENHOR Deus: Visto que estimas o teu coração como se fora o coração de Deus”.

Isaías 14,12-15: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, serás precipitado para o reino dos mortos, no mais profundo do abismo”.

Isaías 33,1: “Ai de ti, destruidor que não foste destruído, que procedes perfidamente e não foste tratado com perfídia! Acabando tu de destruir, serás destruído, acabando de tratar perfidamente, serás tratado com perfídia”.

Ezequiel 28,12-18: "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estivestes no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem”.

Lucas 10,18: “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago”.

Seguem abaixo diversas designações de Satanás em vários versos bíblicos, isto serve para que os cristãos tenham consciência de que a existência dos demônios é uma realidade, somente a presença e a comunhão do Espírito mantém o crente seguro para perseverar em sua salvação:

Acusador: Apocalipse 12,10;

Adversário: 1 Pedro 5,8;

Antiga serpente: Apocalipse 12,9;

Anjo do abismo: Apocalipse 9,11;

Belzebu: Mateus 10,25;

Belial: 2 Coríntios 6,15 (versão Almeida RC);

O grande dragão: Apocalipse 12,9;

Diabo: Mateus 4,1;

O maligno: Mateus 13,19;

O deus deste século: 2 Coríntios 4,4;

Mentiroso e pai da mentira: João 8,44;

Maioral dos demônios: Mateus 9,34;

Príncipe da potestade do ar: Efésios 2,2;

Príncipe deste mundo: João 12,3.

Deus usa os anjos caídos para executar os atos de castigo ou de disciplina que Ele determinou. No verso abaixo do livro dos Salmos Deus usa os anjos maus para infligir o castigo nos egípcios.

Salmo 78,49: “Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males”.

Segundo Calvino, quando Deus decide enganar Acabe, Satanás se apresenta como o espírito enganador que irá confundir os profetas do rei, e Deus o designa para isto.

1 Reis 22,20-22: “Perguntou o SENHOR: Quem enganará a Acabe, para que suba e caia em Ramote-Gileade? Um dizia desta maneira, e outro, de outra. Então, saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o SENHOR: Com quê? Respondeu ele: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim”.

Por intermédio de Satanás Deus também puniu os muitos pecados de Saul, castigando-o duramente através deste mau espírito.

1 Samuel 16,14: “Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR, da parte deste um espírito maligno o atormentava”.

No final dos tempos, Deus determinou o aparecimento do Homem da Iniquidade, que virá com todo poder e eficácia de Satanás.

2 Tessalonicenses 2,9: “Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira”.

João Calvino:

Portanto, Satanás por si mesmo e por sua própria malignidade se opõe a Deus com vil paixão e deliberado intento. Em virtude dessa depravação, é ele incitado à tentativa dessas coisas que julga serem especialmente contrárias a Deus. Como, porém, este o mantém amarrado e tolhido pelo freio de seu poder, ele leva a bom termo apenas aquelas coisas que lhe foram divinamente concedidas, e assim, queira ou não, obedece a seu Criador, porquanto é compelido a prestar-lhe serviço aonde quer que o mesmo o impelir.

No livro de Jó, Satanás é usado por Deus para disciplinar e conduzir Jó ao caminho da salvação.

Jó 1,6: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles”.

Nem todos os atos punitivos ou disciplinares executados por Deus se fazem através dos demônios, algumas vezes Deus executa estes atos pessoalmente através do Anjo do Senhor, que é YAHWEH, ou o Cristo, como na destruição dos primogênitos do Egito, na proteção do povo hebreu ou do exército de Senaqueribe.

A destruição dos primogênitos do Egito:

Êxodo 12,27: “Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou”.

Êxodo 12,29: “Aconteceu que, à meia-noite, feriu o SENHOR todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava no seu trono, até ao primogênito do cativo que estava na enxovia, e todos os primogênitos dos animais”.

A proteção do povo hebreu:

Êxodo  14,19: “Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles”.

O apóstolo Paulo confirma na Carta aos Coríntios que este Anjo de Deus que protegia o povo hebreu era Cristo (YAHWEH):

1 Coríntios 10,4: “E beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo”.

Quando Senaqueribe cerca Jerusalém, o Anjo do SENHOR mata em uma só noite, 185.000 homens no arraial dos Assírios:

Isaías 37,36: “Então, saiu o Anjo do SENHOR e feriu no arraial dos assírios a cento e oitenta e cinco mil; e, quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes eram cadáveres”.

Outros seres celestiais

Existem, de acordo com a bíblia, outros seres espirituais criados, pois os anjos estão certamente organizados e existem classes e categorias destes seres espirituais:

QUERUBINS: Os querubins tinham a tarefa de guardar a entrada do Jardim do Éden, também está dito que Deus está entronizado entre os querubins ou que viaja com os querubins. Lúcifer era um querubim.

Gênesis 3,24: “E, expulso o homem, colocou querubins ao oriente do jardim do Éden e o refulgir de uma espada que se revolvia, para guardar o caminho da árvore da vida”.

SERAFINS: Os serafins são mencionados apenas em Isaías e adoram ao Senhor continuamente.

Isaías 6,1-2: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava”.

SERES VIVENTES: Os Seres Viventes são mencionados em Ezequiel e no livro do Apocalipse, permanecem ao redor do trono de Deus e tem semelhança com um leão, um boi, um homem e uma águia, adoram a Deus continuamente.

Apocalipse 4,6-8: “Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal, e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando. E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”.

Arcanjo: Existe hierarquia entre os anjos, os arcanjos são seres intermediários entre os anjos e os querubins, como podemos ver pelo trecho de Judas abaixo. Miguel é chamado arcanjo em Judas e também é chamado de príncipe em Daniel, é provável também que Gabriel seja um arcanjo.

Judas 1,9: “Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”.

Este verso reforça a existência de hierarquia entre os anjos, pois Miguel não contendeu com Satanás porque este era um querubim, hierarquicamente superior ao arcanjo.

Principados e potestades: Estas referências usadas no Novo Testamento referem-se a classes de anjos ou seres espirituais que ocupam lugar de destaque e autoridade no mundo espiritual, são referidos também como tronos, potestades, domínios ou soberania.

Anjo da guarda pessoal: Não existem suficientes evidências bíblicas para supor a existência dos anjos da guarda pessoais. O principal verso utilizado para defender esta idéia está no evangelho de Mateus, conforme abaixo, mas não é suficientemente claro ou incisivo a este respeito para que se possa formar uma idéia concreta a respeito deste fato.

Mateus 18,10: “Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de meu Pai celeste”.

Calvino – Institutas, Livro I: Também Cristo, quando diz que os anjos das crianças sempre contemplam a face do Pai, dá a entender que há certos anjos a quem lhes foi confiada a segurança. Mas disto não sei se deva concluir-se por certo que incumbe não a um só anjo o cuidado de cada um de nós, mas, antes, que todos, em um consenso único, vigiam por nossa segurança.

O que vemos aqui são algumas coisas diversas do que dita o senso comum:

- Primeiro: os pequeninos referidos no verso não são verdadeiramente as crianças, mas os novos crentes em Cristo que não devem ser desprezados por ninguém;

Mateus 18,2-3: “E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”.

- Segundo: Este verso é uma manifestação de respeito por estes novos crentes, na verdade uma séria repreensão aos discípulos, que estavam tomados de vaidade, como podemos ver no primeiro verso do capítulo:

Mateus 18,1: “Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?

Os apóstolos, como todos os judeus, esperavam o reino messiânico de Davi, na expectativa do poder, eles estavam cheios de inveja e disputa:

Mateus 20,20-21: “Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda”.

Lucas 22,24: “Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior”.

Vemos então, que o teor deste capítulo refere-se principalmente ao respeito devido pelos apóstolos e discípulos aos novos crentes, recém convertidos.

- Em terceiro lugar: “seus anjos no céu” são referidos criar uma diferença com relação aos anjos caídos que não estão mais no céu. Estes anjos são dedicados a cuidar dos eleitos de Deus e nada leva a crer que cada um tenha um anjo a seu serviço, porque os anjos estão sempre a serviço de Deus e jamais do homem.

Salmos 91,11: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos”.

Lucas 4,10: “Porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem”.

Salmos 103,20: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhe obedeceis à palavra”.

No evangelho de Lucas, quando morre o mendigo Lázaro ele é levado ao céu “pelos anjos” e não pelo “seu” anjo como seria de supor se houvesse um anjo da guarda.

Lucas 16,22: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado”.

Em uma situação tranquila um anjo pode cuidar de muitas pessoas, conforme a gravidade da situação uma só pessoa pode ter muitos anjos em sua proteção, como se pode ver no caso de Eliseu.

2 Reis 6,17: “Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu”.

Como vimos acima, um único anjo cuidava de todo o povo hebreu, algumas milhões de pessoas.

Êxodo 14,19: “Então, o Anjo de Deus, que ia adiante do exército de Israel, se retirou e passou para trás deles; também a coluna de nuvem se retirou de diante deles, e se pôs atrás deles”.

Em Atos, quando Pedro é retirado da prisão, os apóstolos dizem que se trata de seu anjo.

Atos 12,15: “Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, persistia em afirmar que assim era. Então, disseram: É o seu anjo. Entretanto, Pedro continuava batendo; então, eles abriram, viram-no e ficaram atônitos”.

Isto que não quer dizer que este anjo permanecia permanentemente ao lado de Pedro, mas foi apenas um anjo designado para tirar Pedro da prisão, vejamos a preparação do episódio.

Atos 12,7: “Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos”.

Neste verso, vemos que veio um anjo do Senhor, e não o anjo de Pedro, o sentido da frase indica claramente que o anjo foi enviado por Deus. Vemos ainda, na sequência, que, terminada a tarefa, o anjo retirou-se de Pedro, provando desta forma que não seguia Pedro continuamente como um servidor particular.

Atos 12,10: “Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade, o qual se lhes abriu automaticamente; e, saindo, enveredaram por uma rua, e logo adiante o anjo se apartou dele”.

Vejamos o comentário de Calvino nas Institutas a respeito desta passagem:

Calvino, Institutas, Livro I: Se bem que aqui se pode também replicar que nada nos impede que entendamos a qualquer um dentre os anjos, a quem o Senhor houvesse então confiado a proteção de Pedro, e não obstante nem por isso lhe seria guarda perpétuo.

ADORAÇÃO A ANJOS

Não se deve dirigir em oração, pedidos ou louvor diretamente a anjos, somente a Deus, o Pai, em nome de Jesus Cristo. A adoração de anjos era uma doutrina falsa ensinada aos colossences e também está registrada uma advertência do anjo, que recusou a adoração do apóstolo João no livro do Apocalipse.

Apocalipse 19,10: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.

A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO E OS ANJOS

A doutrina da predestinação aplica-se a todas as criaturas racionais, incluindo os anjos. A bíblia apresenta anjos santos, anjos maus e anjos eleitos. Se existem anjos eleitos, existem também anjos não eleitos. Os anjos eleitos não caíram, por este motivo, a predestinação dos anjos não é como a predestinação dos homens. Com relação aos anjos, pode-se ver abaixo uma definição teológica pertinente.

Louis Berkoff: “Deus não escolheu certo número de anjos dentre a massa comum caída, deixando os outros perecerem em seu pecado. A predestinação deles consiste nisso: que Deus decretou, por razões suficientes para Si mesmo, dar a alguns anjos, em adição à graça com a qual foram dotados na criação e que incluía poder suficiente para permanecerem santos, uma graça especial de perseverança, e privou os outros (desta mesma graça)”.

Santos anjos - Marcos 8,38: “Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos”.

Anjos maus - Judas 1,6: “E a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”.

Anjos eleitos: 1 Timóteo 5,21: “Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade”.

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario

busy
  • Temos para download 440 Livros
  • Este site tem um total de 1175 itens publicados em Artigos

Adicionar aos Favoritos

Adicione aos Favoritos!

Estatísticas

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até Março 2014:
308.268
Total de páginas visitadas até Março/2014:
1.055.205
Web Analytics